O senador e pré-candidato à Presidência Flávio
Bolsonaro (PL) convocou apoiadores a vestirem a “camisa do Bolsonaro” para
acompanhar os jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo. A declaração foi
feita em vídeo publicado nas redes sociais ontem, durante agenda de pré-campanha
no Pará.
“A Copa do Mundo começa hoje. E a gente vai
torcer pro Brasil. A gente vai botar a camisa do Bolsonaro que vocês
estão vestindo aí. Torcer pra nossa seleção”, afirmou o senador em
discurso para apoiadores que vestiam a camiseta verde e amarela da Seleção. As
informações são do portal G1.
No fim de semana, em discurso no Rio de Janeiro, o
presidente Lula (PT) disse que a esquerda terá que “andar de verde e
amarelo” durante a Copa “para não deixar que as cores do Brasil sejam tomadas
por nenhum fascista”.
Nas redes sociais, Lula postou há uma semana uma foto
vestindo a camiseta da Seleção e um shorts azul. A legenda trazia uma
frase em defesa da soberania nacional: “o Brasil é dos brasileiros”. O lema tem
sido usado pelo governo para se contrapor a medidas dos Estados Unidos, que
anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros. O presidente acusa Flávio
Bolsonaro e o irmão Eduardo de atuarem junto ao governo Trump para prejudicar o
Brasil.
Lula e Flávio travam uma disputa simbólica sobre o uso da
camiseta da Seleção, que nos últimos anos esteve associada a manifestações do
campo bolsonarista.
Ao discursar no Pará, o senador associou a bandeira do
Brasil à direita e criticou o governo. “O Lula é tão ladrão que até a bandeira
ele quer roubar. O PT largou a bandeira do Brasil na lata do lixo. O Bolsonaro
foi lá, pegou essa bandeira e levantou com orgulho, porque a gente é
brasileiro”, declarou. O senador afirmou também que os brasileiros assistirão
aos jogos do mundial em casa por medo da violência.
Para o cientista político Murilo Medeiros, ao reforçar a
conexão com as cores nacionais, Flávio tenta manter mobilizada a base
bolsonarista e transmitir a ideia de continuidade do espólio político do
ex-presidente, em defesa de valores como conservadorismo e defesa da
pátria.
“A Copa do Mundo potencializa essa discussão porque o futebol é um instrumento capaz de unir diferentes segmentos da sociedade em torno de uma identidade comum. Eleitoralmente, nenhum dos dois campos políticos quer abrir mão do simbolismo de vincular-se à camisa da seleção brasileira”, afirma.
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