No acumulado de janeiro a maio de 2026, o RN registrou a
geração de 215 vagas.
A agropecuária, com -244, e a construção, com -229, foram
os setores que registraram saldos negativos em maio de 2026| Foto: Alex Régis
Fernando Azevêdo
Repórter
O Rio Grande do Norte teve em 2026 o pior mês de maio
desde 2020, ano marcado pela pandemia de covid-19, na geração de empregos.
Foram 109 postos formais de trabalho criados nesse mês, segundo os dados do
Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) divulgados nesta
terça-feira (30). O resultado, obtido a partir da diferença entre 19.380
admissões e 19.271 demissões, colocou o RN na segunda pior posição do Nordeste
no mês, à frente apenas de Alagoas (-75).
Em maio de 2020, o estado havia registrado o saldo de -
4.496 postos de emprego formal; em 2021, +1.662; em 2022, +3.484; em 2023,
+1.715; em 2024, +2.882; e em 2025, +2.159. Com isso, o resultado de maio de
2026 é apenas 5% do registrado no mesmo mês do ano passado.
Na avaliação do economista Arthur Néo, vice-presidente do Conselho Regional de
Economia do RN (Corecon), o resultado aponta para uma desaceleração na geração
de empregos no estado, mesmo com leve avanço diante de abril, quando o estado
perdeu postos formais de emprego. No mês passado, o RN registrou saldo de -156
vagas, pior resultado estadual desde 2021 (-1.044).
“Como a gente já vinha com um saldo negativo do mês passado, houve um certo
crescimento, mas inexpressivo no sentido de algum crescimento econômico. É um
dado bem preocupante, porque mês a mês o estado vem mostrando uma incapacidade
de crescimento econômico de geração de empregos”, diz o economista.
Para Arthur Néo, o resultado de maio poderia ser pior se
não fossem os festejos juninos e a Copa do Mundo. Isso porque as datas geram
uma demanda temporária no mercado de trabalho, especialmente nos setores de
serviços e comércio.
Por setores econômicos, maio de 2026 registrou a criação de vagas no Comércio
(146), Serviços (400) e Indústria (38), e perdas na Agropecuária (-244) e na
Construção (-229). “O saldo positivo de 109 empregos formais em maio evita um
resultado negativo, mas confirma uma desaceleração importante do de
trabalho no RN”, diz Roberto Serquiz, presidente da Federação das Indústrias do
Estado (Fiermercadon).
Já a Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern) avalia que o mês
registrou menor dinamismo no mercado de trabalho potiguar, “influenciado
principalmente pelos saldos negativos da agropecuária e da construção civil. Ao
mesmo tempo, os setores de serviços e comércio continuaram gerando empregos e
impediram que o saldo estadual fosse negativo”.
No acumulado de janeiro a maio de 2026, o RN registrou a
geração de 215 vagas. O setor de Serviços lidera o acumulado do ano com +5.087
postos criados. A Agropecuária é destaque negativo, com saldo de -5.580,
influenciada especialmente pelo cultivo de melão (-3.787).
Em nível nacional, maio de 2026 também bateu recorde negativo frente a 2020. O
saldo do mês foi de 72,9 mil vagas de trabalho formal criadas no Brasil, a
partir da diferença entre 2,2 milhões de contratações e 2,1 milhões de
demissões.
Microempresas seguram geração
Na análise por portes das empresas, as microempresas são as únicas com saldo
positivo no acumulado do ano (+5.728), enquanto as médias (-3.174) e grandes
empresas (-2.127) registraram saldos negativos. Já empresas de pequeno porte
registraram saldo de -212.
Apesar do recorde negativo de maio, os pequenos negócios foram destaque,
especialmente as microempresas, que registraram saldo de 717 empregos gerados
nesse mês.
Os dados constam no Boletim do Emprego, elaborado pelo Sebrae-RN (Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) com base nas informações do
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
“O desempenho das microempresas demonstra que o segmento continua sendo a
principal porta de entrada para novos empregos formais no estado, refletindo a
resiliência do empreendedorismo e sua importância para a economia potiguar”,
diz Alinne Dantas, gerente de Gestão Estratégica do Sebrae-RN que coordena o
levantamento.
Tendência é negativa para próximos meses
As perspectivas para os próximos meses são negativas, projeta o economista
Arthur Néo. “Vamos entrar no mês de julho, que, fora o movimento da Copa, não
tem mais nenhum outro evento expressivo para o Rio Grande do Norte”, diz.
“O setor de indústria vai continuar sofrendo, o setor de comércio vai continuar
sofrendo, e o próprio setor de agricultura também vai continuar sofrendo. Serão
dois meses, julho e agosto, bem duros para o RN”, avalia o economista,
observando a dinâmica do mercado de trabalho potiguar.
Ainda segundo ele, apesar de as microempresas sustentarem a geração de
empregos, elas geram postos de menor valor agregado e que pagam menos. Arthur
Néo vê com preocupação a baixa presença da indústria na geração de
oportunidades, uma vez que o setor costuma pagar remunerações de maior valor.
“O menor volume de admissões sugere redução do risco de expansão econômica. As
empresas estão contratando menos, refletindo um ambiente de maior cautela.
Houve uma diminuição na demanda por mão de obra formal”, observa.
Números
Geração de empregos formais em maio de 2026 no RN
Admissões 19.380
Desligamentos 19.271
Agropecuária -244
Construção -229
Comércio 146
Serviços 400
Indústria 38
Saldo de empregos 109
Saldo dos meses de maio desde 2020 no RN
2020 -4.496
2021 +1.662
2022 +3.484
2023 +1.715
2024 +2.882
2025 +2.159
2026 +109
Fonte: Caged