A Polícia Federal (PF) avalia que a nova tentativa de
acordo de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master,
dificilmente será aceita.
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o anexo
complementar apresentado pela defesa na semana passada não trouxe elementos
inéditos capazes de alterar a percepção dos investigadores sobre o caso. As
informações são do Blog da Andréia Sadi para o g1.
Delação premiada é um tipo de acordo que presos podem
fazer com os investigadores para conseguir redução da pena em troca de passarem
informações importantes sobre esquemas criminosos.
De acordo com integrantes da PF, o novo material menciona
repasses ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e ao filme “Dark Horse”, produção
cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ainda assim, os
investigadores afirmam que as informações apresentadas não são novas e foram
incluídas principalmente em tom de justificativa.
Nos bastidores, permanece a avaliação de que Vorcaro
tenta preservar figuras públicas e que, até o momento, não apresentou fatos
relevantes capazes de contribuir significativamente para as investigações.
Na semana passada, Mendonça se reuniu com a defesa de
Vorcaro e, nos próximos dias, deve voltar a encontrar o advogado Sérgio
Leonardo, responsável pelas negociações. Segundo interlocutores, o ministro tem
acompanhado de perto tudo o que vem sendo apresentado pela defesa.
Fontes da Polícia Federal relatam ainda que, nas últimas
duas semanas, a equipe de defesa realizou reuniões diárias com Vorcaro, algumas
delas com duração superior a seis horas.
A partir da próxima segunda-feira (15), porém, voltará a
vigorar o limite de 30 minutos diários para os encontros entre o investigado e
seus advogados.
Investigadores vinham reclamando que o material
apresentado pela defesa acrescentava pouco em relação ao que já foi levantado
pela PF e que a impressão era que Vorcaro agia para proteger pessoas próximas.
A PF aprendeu mais de oito celulares de Daniel Vorcaro e
apenas a perícia inicial de parte desses telefones já revelou que o esquema do
banqueiro vai além de um esquema de fraudes financeiras, envolvendo corrupção,
organização criminosa e uso de uma milícia privada para atacar adversários e
acessar dados sigilos.
Segundo o blog do Valdo Cruz no g1, a negociação da
delação tem como eixo a devolução de recursos e a eventual comprovação de atos
de ofício de autoridades citadas. Investigadores relataram que a lógica do
acordo é técnica, sem alvos pré-definidos ou exclusões.
Em 22 de maio, interlocutores do banqueiro afirmaram ao blog que ele aceitou subir de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o valor a ser devolvido caso seja fechada uma colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Nenhum comentário:
Postar um comentário