Leilão da ANP marcado para outubro inclui cinco setores
terrestres, com 1.023 km² no Rio Grande do Norte, e pode abrir nova frente de
investimentos em municípios produtores
Mais de mil quilômetros quadrados de áreas terrestres da
Bacia Potiguar localizadas no Rio Grande do Norte serão disputados no próximo
leilão de petróleo e gás da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis (ANP).
A sessão pública está marcada para 7 de outubro e poderá ampliar a presença de
empresas privadas em uma região com infraestrutura instalada e histórico de
produção em campos maduros.
O 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão terá cinco
setores da Bacia
Potiguar: SPOT-T1B, no Ceará, e SPOT-T2, SPOT-T3, SPOT-T4 e SPOT-T5, no
território potiguar. Juntos, eles abrangem 1.229,979 quilômetros quadrados, dos
quais 1.023,442 quilômetros quadrados estão no Rio Grande do Norte e 206,537
quilômetros quadrados no Ceará.
A Bacia Potiguar terá a maior participação entre as
bacias sedimentares nordestinas incluídas nessa rodada. Dos 22 setores
colocados em disputa pela ANP, 13 estão no Nordeste, distribuídos pelas bacias
Potiguar, do Ceará, do Parnaíba, do Recôncavo e do Tucano. A oferta reúne 313
blocos exploratórios e cinco áreas com acumulações marginais, segundo a
agência.
No Rio Grande do Norte, os setores abrangem municípios do
Oeste, do Vale do Açu e do litoral Norte. O SPOT-T2 possui 242,303 quilômetros
quadrados e alcança Grossos, Tibau, Areia Branca e Mossoró. A área reúne
municípios ligados à produção de petróleo em terra, à prestação de serviços
para o setor e à movimentação de cargas pela região de Areia Branca.
Com 208,188 quilômetros quadrados, o SPOT-T3 inclui áreas
de Porto do Mangue, Carnaubais, Macau, Serra do Mel e Pendências. O SPOT-T5
soma 178,692 quilômetros quadrados e está distribuído entre Pendências, Alto do
Rodrigues, Carnaubais e Assú. Já o SPOT-T4 completa a parcela potiguar colocada
no certame.
No Ceará, o SPOT-T1B abrange 206,537 quilômetros
quadrados nos municípios de Itaiçaba, Jaguaruana, Aracati, Limoeiro do Norte e
Tabuleiro do Norte. A inclusão do setor amplia a oferta da Bacia Potiguar para
além da divisa estadual, acompanhando a própria formação geológica, que ocupa
áreas do Rio Grande do Norte e do Ceará.
A rodada ocorre em um momento de reorganização da
atividade terrestre no Estado, após a venda de ativos maduros da Petrobras e a
entrada de operadores independentes. O movimento transferiu campos, instalações
e parte da infraestrutura para empresas de menor porte, que passaram a
concentrar investimentos na recuperação de poços e no prolongamento da vida
produtiva das áreas.
Dados da ANP mostram que o Rio Grande do Norte produziu,
em março de 2026, uma média de 26,6 mil barris de petróleo por dia e 1,05
milhão de metros cúbicos diários de gás natural. O Estado possuía 58 campos
produtores e alcançou uma produção total de aproximadamente 33,2 mil barris de
óleo equivalente por dia, conforme o boletim mensal da agência.
Embora os volumes potiguares estejam distantes dos
registrados nas áreas marítimas do pré-sal, a produção terrestre tem impacto
regional maior sobre fornecedores, transportadoras, oficinas, empresas de
engenharia e municípios que recebem royalties. Mossoró e os municípios do Vale
do Açu concentram parte dessa cadeia, formada também por serviços de
manutenção, tratamento, armazenamento e escoamento da produção.
Na Oferta Permanente de Concessão, as empresas apresentam
declarações de interesse e garantias para os setores disponíveis. A
manifestação de uma companhia abre um ciclo competitivo, permitindo que outras
participantes também ofereçam propostas. Para o sexto ciclo, 12 empresas com
inscrição ativa entregaram declarações acompanhadas de garantias, enquanto 46
companhias estavam habilitadas inicialmente a participar.
A seleção dos vencedores considera o bônus de assinatura
e o Programa Exploratório Mínimo, que define os investimentos e atividades que
a empresa se compromete a executar. A concessão transfere à companhia o risco
da exploração, mas assegura à União receitas provenientes de bônus, royalties,
participações especiais, quando aplicáveis, e tributos.
As empresas interessadas têm até 31 de agosto para
apresentar as garantias previstas no cronograma. A sessão pública de ofertas
ocorrerá em 7 de outubro, de acordo com o calendário oficial do sexto ciclo. O
cronograma ainda poderá ser modificado ou suspenso pela Comissão Especial de
Licitação da ANP.
No mesmo dia, a agência realizará o 4º Ciclo da Oferta
Permanente de Partilha da Produção, com 13 blocos no pré-sal das bacias de
Campos e Santos. Diferentemente das áreas terrestres da Bacia Potiguar,
submetidas ao regime de concessão, os blocos do pré-sal serão disputados pelo
percentual de excedente em óleo destinado à União.
Para o Rio Grande do Norte, o resultado do certame
indicará o grau de interesse empresarial por novas áreas exploratórias em uma
bacia madura. A entrada de investimentos dependerá, entretanto, não apenas da
arrematação dos blocos, mas também do cumprimento dos programas exploratórios,
da obtenção de licenças ambientais e da eventual confirmação de reservas
comercialmente viáveis.
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