Rede estadual alcança nota 4,0 no ensino médio, cresce
25% em dois anos e supera sete unidades da Federação; avanço de 0,8 ponto é o
maior do Brasil, ao lado do Rio Grande do Sul
Os resultados, apresentados nesta quarta-feira 5 pelo
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep),
permitem duas leituras do ensino médio estadual. Considerando apenas o ensino
médio regular, a nota do Rio Grande do Norte foi de 3,9. Quando também é
incluído o ensino médio integrado à educação profissional e tecnológica, o
índice chega a 4,0. O segundo recorte foi adotado pelo Governo do Estado ao
divulgar o resultado e é o utilizado na comparação da evolução das redes estaduais.
A alta modificou a posição potiguar no cenário nacional.
Em 2023, o Rio Grande do Norte tinha, sozinho, a menor nota entre as 27
unidades da Federação, com 3,2. Em 2025, passou a dividir o patamar de 4,0 com
Acre e Rondônia e ficou à frente de Bahia e Maranhão (ambos com 3,8), Amazonas,
Rio de Janeiro, Roraima e Amapá (cada um com 3,7) e Distrito Federal, com 3,6.
Apesar do avanço, o resultado potiguar ainda permanece
abaixo da média nacional das redes estaduais, que chegou a 4,3 em 2025. A nota
do ensino médio brasileiro, considerando todas as redes, subiu de 4,3 em 2023
para 4,5. Entre as escolas privadas, o índice alcançou 5,8.
A rede estadual de ensino do Rio Grande do Norte registrou o maior crescimento percentual do País no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) entre 2023 e 2025. A nota potiguar passou de 3,2 para 4,0, avanço de 0,8 ponto e alta proporcional de 25%. Com o resultado, o Estado deixou a última colocação nacional, alcançou o melhor desempenho de sua série histórica e atingiu pela primeira vez o patamar de 4 pontos. O Ideb é divulgado a cada dois anos, sempre em anos ímpares.
Em números absolutos, o crescimento de 0,8 ponto foi o
maior registrado entre as unidades da Federação, empatado com o Rio Grande do
Sul, que avançou de 3,9 para 4,7. Na comparação percentual, entretanto, o Rio
Grande do Norte ficou isolado na liderança: os 25% de aumento superaram os
20,5% dos gaúchos e os 16,7% da Paraíba, que passou de 3,6 para 4,2.
Melhor resultado da série
A nota 4,0 é a maior já obtida pelo Rio Grande do Norte
desde o início da série histórica, em 2005. O índice também supera em 0,8 ponto
os resultados de 2019 e 2023, ambos de 3,2, que até então eram os melhores
desempenhos da rede estadual. Em 2021, durante os efeitos da pandemia de
Covid-19 sobre a educação, a nota havia recuado para 2,8.
Em coletiva de imprensa, a governadora Fátima Bezerra
(PT) atribuiu a evolução a medidas adotadas nas áreas de gestão, recuperação da
aprendizagem, permanência dos estudantes e capacitação dos trabalhadores da
educação.
“Este resultado é fruto de planejamento estratégico,
priorização de pautas e investimentos robustos realizados ao longo desta
gestão. Destaco ações fundamentais como o aprimoramento da gestão escolar, a
recomposição das aprendizagens, a busca ativa por estudantes e o investimento
contínuo na formação dos nossos profissionais”, afirmou.
Fátima também destacou investimentos de R$ 200 milhões em
infraestrutura física, incluindo reformas, ampliações, construção de unidades
dos Institutos Estaduais de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação
(IERNs) e climatização das escolas. De acordo com a governadora, outros R$ 150
milhões foram aplicados em modernização tecnológica.
“Desde 2024, todas as escolas da rede estadual contam com
banda larga, rede Wi-Fi, tablets e laboratórios equipados. Além disso, a
valorização do magistério é um pilar essencial. O Rio Grande do Norte é o único
estado do país que cumpre integralmente a Lei do Piso Salarial Nacional,
assegurando reajuste não apenas para quem está em sala de aula ou abaixo do
piso, mas protegendo toda a carreira e garantindo benefício aos aposentados”,
declarou.
Para a secretária estadual de Educação, Socorro Batista,
o resultado não representa somente uma recuperação da queda observada em 2021,
mas a chegada da rede a um novo nível de desempenho. Ela apontou o
acompanhamento permanente das escolas, das diretorias regionais e dos
estudantes, aliado às ações de recomposição das aprendizagens, como base para o
crescimento.
“O monitoramento contínuo do desenvolvimento das escolas,
das diretorias regionais e, sobretudo, dos estudantes — aliado à recomposição
das aprendizagens — constitui o alicerce para os resultados que agora
divulgamos”, afirmou.
Cenário nacional
O Ideb varia de zero a dez e combina dois componentes: o
desempenho dos estudantes nas avaliações do Sistema de Avaliação da Educação
Básica (Saeb) e as taxas de aprovação escolar. Dessa forma, o indicador procura
medir simultaneamente a aprendizagem e o fluxo dos alunos ao longo das etapas
de ensino. Notas mais altas dependem tanto de melhores resultados nas provas
quanto de maior progressão escolar.
O ensino médio concentra 7,3 milhões de matrículas em
cerca de 30 mil escolas brasileiras. As redes estaduais reúnem 6 milhões de
estudantes, equivalentes a 82% de todas as matrículas da etapa e a 95,5% dos
alunos matriculados na rede pública. Por isso, o desempenho do ensino médio é
diretamente relacionado às políticas educacionais desenvolvidas pelos governos
estaduais.
Considerando apenas o ensino médio na rede pública, o Paraná obteve a maior nota do País em 2025, com 5,1. Na sequência, aparecem Goiás, com 5,0; Piauí e Espírito Santo, com 4,9; Pernambuco, com 4,8; e Rio Grande do Sul e Ceará, com 4,7. O Distrito Federal foi a única unidade da Federação a apresentar redução, passando de 3,7 para 3,6.
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