terça-feira, 11 de agosto de 2026

RN intensifica obras de infraestrutura e redesenha logística para futuro próximo

Gustavo Coelho afirma que investimentos em rodovias, habitação, saúde, porto e aeroporto buscam reduzir gargalos e integrar as regiões produtivas do Estado

Secretário de Infraestrutura, Gustavo Coelho, em entrevista na TV Agora RN - Foto: José Aldenir

O Rio Grande do Norte deverá encerrar a segunda etapa de seu programa rodoviário com mais de 2,1 mil quilômetros de estradas recuperadas por iniciativas estaduais e federais, o equivalente a mais de 60% da malha pavimentada sob análise do governo. O conjunto de obras inclui 650 quilômetros atualmente em execução, nos quais são aplicados mais de R$ 620 milhões, segundo o secretário estadual da Infraestrutura, Gustavo Coelho.

Em entrevista ao podcast Economia e Negócios, da TV Agora RN, apresentado pelo jornalista Elias Luz, Coelho afirmou que o programa procura corrigir a deterioração acumulada das rodovias e melhorar as conexões entre áreas produtoras, centros consumidores e destinos turísticos. A malha rodoviária estadual tem aproximadamente 3,4 mil quilômetros e, conforme o secretário, mais de 60% apresentavam algum grau de comprometimento quando o diagnóstico que orientou o programa foi elaborado.

A primeira etapa recuperou cerca de 800 quilômetros, com investimento próximo de R$ 500 milhões. Os trechos foram distribuídos entre os sete distritos rodoviários do Estado. Mossoró e Caicó receberam parcelas maiores por concentrarem extensões superiores da rede, mas houve intervenções em todas as regiões.

“Escolhemos aquelas rodovias que estavam com problemas estruturais sérios e, em seguida, passamos a considerar a importância econômica daquele trecho”, afirmou Coelho. Segurança viária, circulação de mercadorias e acesso a destinos turísticos foram usados para definir a ordem das obras.

Na primeira fase, parte das estradas recebeu tratamento superficial duplo, solução de menor custo. Na etapa atual, o concreto betuminoso usinado a quente, conhecido pela sigla CBUQ, passou a ser adotado em aproximadamente 95% dos trechos. Embora mais caro, o material oferece maior vida útil e reduz a necessidade de novas intervenções em prazos curtos, de acordo com o secretário.

Os serviços abrangem reparos estruturais, correção de pontos críticos, recapeamento e implantação de sinalização horizontal e vertical. Segundo Coelho, a segunda etapa ultrapassou 60% de execução e concentra uma parcela maior das obras no Agreste, região que teve menor participação no primeiro ciclo. Também há intervenções no Litoral Norte, Oeste, Alto Oeste, Seridó, Grande Natal e municípios como Ceará-Mirim.

O secretário estima que a proporção de rodovias em condições precárias possa cair para algo entre 15% e 20% após a conclusão da fase atual. Ele reconhece, entretanto, que o programa não encerra a necessidade de recursos para conservação. “Não existe rodovia eterna. Ela precisa ter manutenção”, disse. Para Coelho, o Estado deverá transformar a recuperação periódica da malha em uma política permanente, independentemente da gestão.

A conta de 2,1 mil quilômetros inclui mais de 100 quilômetros de estradas estaduais recuperados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Esses trechos foram utilizados como rotas alternativas após problemas em uma ponte da malha federal e tiveram seu desgaste acelerado pelo aumento do tráfego.

BR-304 articula novo eixo de transporte

A duplicação da BR-304 ocupa uma posição central no planejamento apresentado pelo secretário. A rodovia liga a Região Metropolitana de Natal ao Oeste, conecta-se com parte relevante das estradas estaduais e serve ao transporte de frutas, sal, petróleo, equipamentos de energia renovável e outros produtos da economia potiguar.

O primeiro lote em execução compreende 57,6 quilômetros entre Assú e Mossoró e recebe investimento de cerca de R$ 376 milhões. Em abril, as frentes de trabalho já alcançavam aproximadamente 20 quilômetros, com dez quilômetros de terraplenagem e base concluídas e outros dez em preparação. O pavimento utilizado é de concreto. A obra integra o Novo PAC e está sob responsabilidade do Dnit.

Na entrevista, Coelho informou que entre dez e 12 quilômetros já estavam pavimentados e que o governo trabalhava para liberar, até o fim de agosto, os primeiros seis quilômetros totalmente sinalizados e drenados. Outra frente contratada prevê a duplicação de 38,1 quilômetros entre Macaíba e Riachuelo, além da conclusão de trechos remanescentes da travessia urbana de Macaíba e da Reta Tabajara.

O governo estadual também aguarda a contratação dos lotes intermediários, que completariam a ligação duplicada entre Natal e Mossoró. Segundo Coelho, o ministro dos Transportes, George Santoro, indicou que os dois trechos centrais poderiam ser licitados no segundo semestre de 2026.

Outro projeto citado foi a implantação da BR-104 no território potiguar. Para viabilizar o novo corredor, o Estado transferiu à União mais de 100 quilômetros de rodovias estaduais. O traçado projetado parte de Macau, atravessa áreas do Seridó e do Agreste e chega à divisa com a Paraíba, conectando o RN a Pernambuco e Alagoas.

A ampliação da rede rodoviária é tratada pelo governo em conjunto com o projeto do Porto-Indústria Verde, planejado para Caiçara do Norte. O empreendimento deverá atender à cadeia de energia eólica offshore, à produção de hidrogênio verde e a outras atividades industriais. Governo estadual e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) contrataram a estruturação do primeiro módulo e a modelagem da futura parceria público-privada. As estimativas divulgadas para o complexo variam entre R$ 6 bilhões e R$ 10 bilhões, conforme o escopo considerado. O projeto será construído em uma área de 13,3 mil hectares.

Coelho disse que o Estado também apresentou ao Governo Federal uma proposta ferroviária para interligar Mossoró, Assú, Macau, Caiçara do Norte e Natal. Ainda sem previsão de execução, a ferrovia seria usada para transportar cargas até o futuro porto e conectar os principais centros econômicos do Estado.

A modernização do Aeroporto Governador Dix-sept Rosado, em Mossoró, completa esse desenho logístico. O pacote de intervenções inclui novo terminal de passageiros, reforma da pista, áreas de embarque e desembarque, pistas de táxi, pátio, sinalização e balizamento noturno. A Infraero aplica mais de R$ 18 milhões no terminal, dentro de um conjunto de investimentos estimado em R$ 70 milhões. As melhorias permitirão a operação de aeronaves como Boeing 737 e Airbus A320.

Habitação e hospital ampliam carteira

Fora da área de transportes, a Secretaria de Infraestrutura participa da execução de empreendimentos habitacionais e equipamentos públicos. Coelho informou que o Rio Grande do Norte recebeu autorização para mais de 12,7 mil moradias em diferentes modalidades de programas federais. A previsão inicial era de aproximadamente 2,4 mil unidades.

Desse total, cerca de 7 mil moradias estariam em construção. Os projetos são executados pelo Estado, municípios, cooperativas, associações e entidades habilitadas, incluindo modalidades urbanas e rurais do Minha Casa, Minha Vida. Segundo o secretário, há empreendimentos previstos ou em andamento em mais de 140 municípios.

Coelho relacionou o programa habitacional ao desempenho da construção civil nos municípios. Além de reduzir o déficit de moradias, as obras contratam trabalhadores, demandam serviços e elevam o consumo de materiais nas economias locais.

O Estado também retomou recursos do Pró-Moradia, programa que atenderá 19 municípios. Em Natal, estão previstas 60 unidades no bairro Planalto. A Secretaria da Infraestrutura trabalha em parceria com a Companhia Estadual de Habitação e Desenvolvimento Urbano e com a Secretaria do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social.

Na saúde, a principal obra é o Hospital Metropolitano, projetado para ter 350 leitos e atender Natal e municípios da região metropolitana. O equipamento deverá absorver parte da demanda atualmente concentrada em outras unidades estaduais. Coelho afirmou que a construção não será concluída em 2026, mas disse que reformas e ampliações em hospitais existentes apresentam estágio mais avançado.

A carteira descrita pelo secretário mostra uma tentativa de tratar infraestrutura como uma rede, e não como projetos isolados. Rodovias estaduais e federais, aeroporto, futuro porto, proposta ferroviária, moradias e unidades de saúde formam um programa que exige continuidade orçamentária. Para Coelho, o resultado dependerá não apenas da entrega das obras, mas da capacidade de conservar os ativos e manter os investimentos nos próximos governos.


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