A
PEC 221/2019, relatada pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), reduz a jornada máxima
de trabalho semanal de 44 para 40 horas.
O texto original foi aprovado em votação simbólica durante reunião da CCJ do Senado. Foto: TON MOLINA/AGÊNCIA SENADO
A
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira
(2) a proposta de emenda à Constituição que acaba com a chamada escala 6x1 –
seis dias de trabalho e um de repouso. A matéria vai a Plenário.
A
PEC 221/2019, relatada pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), reduz a jornada máxima
de trabalho semanal de 44 para 40 horas. A proposta fixa período de até oito
horas diárias, com possibilidade de compensação de horários e redução da
jornada por acordo ou convenção coletiva de trabalho. O texto também estabelece
repouso semanal remunerado de dois dias, um deles preferencialmente aos
domingos, sem redução salarial.
O
texto original foi aprovado em votação simbólica (havia 27 senadores
presentes), com votos contrários de Rogério Marinho (PL-RN), Jaime Bagattoli
(PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Tereza Cristina (PP-MS). Os
senadores aprovaram requerimento para tramitação da PEC em calendário especial
no Plenário, para abreviar os prazos regimentais.
Tendo
como primeiro signatário o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), a PEC
havia sido aprovada no Plenário da Câmara em maio deste ano. Na CCJ do Senado
foram apresentadas 36 emendas, todas rejeitadas pelo senador Omar Aziz. O
relator explicou que alterações retornariam o texto à nova deliberação dos
deputados, mas salientou que serão, sim, necessários alguns ajustes a serem
propostos em outras matérias.
Os
senadores da CCJ rejeitaram destaque a uma emenda apresentada pelo senador
Rogério Marinho, que afirmou não ser razoável que o texto da Constituição
defina jornada e escala de trabalho. Ele defendeu que “a escala possa ser
mutável”, de forma que não seja imposta a todos uma escala única.
Rogério
Marinho chegou a pedir vista regimental, após quase cinco horas de debate, o
que levou a uma suspensão da reunião durante uma hora, concedida pelo
presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA). Reiniciada a reunião, Omar
Aziz alegou que qualquer alteração no texto original exigiria devolver a PEC à
Câmara.
A
PEC agora segue ao Plenário, onde tem que passar por cinco sessões de discussão
antes da votação em primeiro turno. Para ser aprovada, precisa do voto de três
quintos dos senadores, o equivalente a 49 dos 81 parlamentares, em dois turnos
de votação. Entre o primeiro e o segundo turno, deve ser cumprido o intervalo
previsto pelo Regimento da Casa. Esses prazos podem ser reduzidos por acordo.
“Esse
patamar [44 horas semanais] permanece inalterado há 38 anos, período ao longo
do qual a economia brasileira passou por transformações profundas em
produtividade, incorporação tecnológica e organização produtiva. A revisão do
parâmetro constitucional não é, nesse contexto, ruptura, mas atualização há
muito devida.”, expôs o relator.
Assim
como os senadores Teresa Leitão (PT-PE), Fabiano Contarato (PT-ES) e Rogério
Carvalho (PT-SE), a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) também salientou que todas
as vezes que o Congresso Nacional assegura direitos trabalhista, “o discurso é
sempre o mesmo: de que a economia vai quebrar”.
“Com a aprovação do fim da escala 6x1, nós vamos dar dignidade, nós vamos dar saúde mental, e nós vamos melhorar a produtividade no Brasil, nós vamos melhorar a produção do trabalho neste país”, disse Eliziane.
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