Por Rinaldo Remígio*
Nas décadas de 1970 e 1980, as campanhas eleitorais, em
minha singela percepção, pareciam mais pacíficas. Existiam partidos, grupos
políticos e adversários, naturalmente, mas havia maior respeito nas relações.
Não pretendo entrar no mérito do regime político vigente naquela época, pois o
foco desta reflexão é outro: a maneira como as pessoas conviviam com as
diferenças.
Não me recordo de tantos ataques, ofensas e difamações
pessoais. Talvez isso também acontecesse, mas não com a intensidade e a
exposição que vemos atualmente. O horário eleitoral já existia, embora tivesse
outro formato e alcance, e ainda não havia as redes sociais, que hoje espalham
uma informação — verdadeira ou falsa — em poucos segundos.
Minha gente, estas eleições prometem ser desconfortáveis
para o eleitorado brasileiro. O debate político já vem sendo marcado pela
agressividade, pela intolerância e pela tentativa de transformar adversários em
inimigos. Esse ambiente não contribui para a democracia nem ajuda o cidadão a
escolher os melhores representantes.
Nós, formadores de opinião, temos uma responsabilidade
ainda maior. Precisamos colaborar para a construção de um debate respeitoso,
orientar as pessoas a verificarem as informações antes de compartilhá-las e
mostrar que é possível defender um candidato sem atacar a honra de quem pensa
diferente.
Vamos solicitar aos candidatos e postulantes a cargos em
todas as esferas que, em vez de ataques, apresentem propostas; em vez de
agressões e acusações, ofereçam soluções; e, em vez de qualquer abuso de
autoridade, adotem atitudes e orientações voltadas exclusivamente para o
bem-estar da população. O eleitor precisa conhecer aquilo que cada candidato
pretende realizar, e não apenas assistir a disputas pessoais que em nada
contribuem para o desenvolvimento do país.
A política não deve separar famílias, acabar com amizades
nem alimentar o ódio. As eleições passam, os mandatos terminam e os candidatos
seguem seus caminhos. Nós, porém, continuaremos convivendo nas mesmas cidades,
frequentando os mesmos espaços e compartilhando os mesmos sonhos de um país
melhor.
Que possamos discutir propostas, comparar trajetórias e
cobrar compromissos, mas sempre preservando a dignidade humana. Divergir faz
parte da democracia; difamar, humilhar e agredir jamais poderão ser
considerados comportamentos aceitáveis.
*Professor universitário aposentado

Nenhum comentário:
Postar um comentário