sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Eleições passam, mas o respeito precisa permanecer

Por Rinaldo Remígio*

Nas décadas de 1970 e 1980, as campanhas eleitorais, em minha singela percepção, pareciam mais pacíficas. Existiam partidos, grupos políticos e adversários, naturalmente, mas havia maior respeito nas relações. Não pretendo entrar no mérito do regime político vigente naquela época, pois o foco desta reflexão é outro: a maneira como as pessoas conviviam com as diferenças.

Não me recordo de tantos ataques, ofensas e difamações pessoais. Talvez isso também acontecesse, mas não com a intensidade e a exposição que vemos atualmente. O horário eleitoral já existia, embora tivesse outro formato e alcance, e ainda não havia as redes sociais, que hoje espalham uma informação — verdadeira ou falsa — em poucos segundos.

Minha gente, estas eleições prometem ser desconfortáveis para o eleitorado brasileiro. O debate político já vem sendo marcado pela agressividade, pela intolerância e pela tentativa de transformar adversários em inimigos. Esse ambiente não contribui para a democracia nem ajuda o cidadão a escolher os melhores representantes.

Nós, formadores de opinião, temos uma responsabilidade ainda maior. Precisamos colaborar para a construção de um debate respeitoso, orientar as pessoas a verificarem as informações antes de compartilhá-las e mostrar que é possível defender um candidato sem atacar a honra de quem pensa diferente.

Vamos solicitar aos candidatos e postulantes a cargos em todas as esferas que, em vez de ataques, apresentem propostas; em vez de agressões e acusações, ofereçam soluções; e, em vez de qualquer abuso de autoridade, adotem atitudes e orientações voltadas exclusivamente para o bem-estar da população. O eleitor precisa conhecer aquilo que cada candidato pretende realizar, e não apenas assistir a disputas pessoais que em nada contribuem para o desenvolvimento do país.

A política não deve separar famílias, acabar com amizades nem alimentar o ódio. As eleições passam, os mandatos terminam e os candidatos seguem seus caminhos. Nós, porém, continuaremos convivendo nas mesmas cidades, frequentando os mesmos espaços e compartilhando os mesmos sonhos de um país melhor.

Que possamos discutir propostas, comparar trajetórias e cobrar compromissos, mas sempre preservando a dignidade humana. Divergir faz parte da democracia; difamar, humilhar e agredir jamais poderão ser considerados comportamentos aceitáveis.

*Professor universitário aposentado


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