Movimento nacional começou nesta sexta-feira 11 após
negociações terminarem sem acordo; trabalhadores potiguares também participam
da mobilização
Unidade dos Correios na Zona Norte de Natal — José Aldenir/Agora RN
Trabalhadores dos Correios iniciaram uma greve nacional
por tempo indeterminado nesta sexta-feira 11 após assembleias realizadas na
noite de quinta-feira 10. Segundo a Federação Interestadual dos Empregados da
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), sindicatos de todos os
estados aprovaram a paralisação. No Rio Grande do Norte, a categoria também vai
aderir ao movimento, conforme manifestação do Sindicato dos Trabalhadores em
Correios e Telégrafos do RN (Sintect-RN).
A greve ocorre após as negociações da campanha salarial
terminarem sem acordo. De acordo com a Findect, um dos principais pontos de impasse
é o plano de saúde dos funcionários, que poderá passar por mudanças propostas
pela direção da estatal.
“ A decisão das assembleias ocorre depois de sucessivas
rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho
(TST). A categoria buscou uma solução negociada, mas a empresa manteve sua
posição em um tema considerado fundamental pelos trabalhadores”, informou a
federação.
No Rio Grande do Norte, o Sintect-RN também aponta como
motivos para a mobilização possíveis fechamentos de unidades operacionais e
agências, além de mudanças em direitos dos funcionários. A entidade afirma que
cerca de 40% das unidades operacionais estariam sob risco de fechamento e cita
a possibilidade de encerramento das atividades de mais de mil agências em todo
o Brasil.
O sindicato potiguar também contesta o corte do adicional
de quebra de caixa e do AAG, que, segundo a entidade, contraria a sentença
normativa da categoria. O Sintect-RN argumenta ainda que o fechamento de
unidades poderá aumentar a carga de trabalho dos funcionários que permanecerem
em atividade e afetar o atendimento à população.
Em nota, os Correios informaram que colocaram em
funcionamento um Plano de Continuidade de Negócios para reduzir os impactos da
greve sobre os serviços. “Entre as ações estão o remanejamento de equipes, o
reforço das atividades operacionais e a adoção de medidas logísticas
específicas para preservar a regularidade das entregas em todo o país”,
informou a empresa.
Ainda não há um balanço nacional detalhado sobre o
funcionamento das agências e dos serviços durante a paralisação. Na Paraíba,
segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do
estado, Tony Sérgio, apenas os serviços administrativos internos permanecem
funcionando.
A greve ocorre em meio à crise financeira enfrentada
pelos Correios. A estatal acumula 15 trimestres consecutivos de resultados
negativos e registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026.
Apesar do resultado negativo, o prejuízo registrado no
segundo trimestre ficou abaixo dos números do primeiro trimestre deste ano e do
quarto trimestre de 2025. O primeiro trimestre de 2026 havia registrado o maior
prejuízo da empresa no período recente. Os Correios também aguardam uma nova
operação de crédito. A previsão é de um empréstimo de R$ 7 bilhões, já
mencionado nas demonstrações financeiras do primeiro semestre divulgadas pela
estatal no fim de agosto.
No fim de 2025, os Correios receberam R$ 12 bilhões por meio de outra operação de crédito. A expectativa é de que os novos recursos sejam obtidos por meio de um consórcio de instituições financeiras.
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