Queda preocupa entidades do comércio, que atribuem os dados a juros elevados, alta inadimplência e menor geração de emprego. Foto: Magnus Nascimento
Com redução de 0,9%, o volume de vendas do varejo no Rio
Grande do Norte registrou, no comparativo entre junho e julho, a quinta queda
consecutiva do ano e a segunda maior de 2026. Os dados são da Pesquisa Mensal
do Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
divulgados nesta terça-feira (15). No Nordeste, além do RN, as vendas do varejo
sofreram variação negativa na Paraíba (-1,2%) e no Ceará (-0,1). No Brasil
também houve retração, de 0,8%. O desempenho do RN, portanto, foi pior do que o
índice do país e o segundo mais elevado entre os estados nordestinos.
O cenário de redução é observado desde março, quando, de
acordo com a PMC, a queda registrada no varejo potiguar foi de 0,1% na
comparação com o mês anterior. Em abril, a redução foi de 0,2%, enquanto que em
maio houve retração de 1,4% (a maior do ano), e de 0,3% em junho. O movimento
de queda preocupa as entidades do comércio, que atribuem os dados aos juros
elevados, inadimplência em alta e menor geração de emprego e renda.
“São questões que se conectam ao endividamento da
população e geram reflexos no mercado varejista. A gente espera que os números
melhorem a partir do final de outubro”, afirma.
Os números apontados pela pesquisa corroboram com a
realidade observada no comércio da capital. Leonardo Gabriel, gerente de uma
loja de eletrodomésticos localizada na Cidade Alta, conta que as vendas em
julho caíram 5% em relação ao mês anterior. “Acredito que isso tem a ver com a
situação do bairro, uma vez que existem poucos comércios por aqui e as pessoas
preferem ir para o Alecrim ou para os shoppings. E também por causa das compras
online”, afirma.
Na loja em que Dayse Mônica trabalha, também na Cidade
Alta, as vendas têm oscilado ao longo dos meses, o que, do mesmo modo, é motivo
de preocupação, segundo ela. “O mês de julho foi razoável, mas ficou abaixo do
resultado de junho. Em agosto, mesmo com o Dia dos País, as coisas só
melhoraram depois da segunda quinzena”, comenta a funcionária de uma loja de
roupas.
O economista Arthur Néo indica que deve se formar, nos
próximos meses, um cenário mais heterogêneo no estado. “O segundo semestre
tradicionalmente traz datas importantes para o comércio, como o Dia das
Crianças, Black Friday e Natal, além do pagamento do 13º salário. Esses fatores
podem ajudar a recompor o consumo”, projeta.
Por outro lado, ele alerta que o efeito dos juros
elevados e das condições de crédito continuará sendo uma restrição importante.
“O sinal amarelo está aceso, mas ainda não é sinal vermelho. Os próximos
resultados da PMC serão fundamentais para saber se estamos diante de uma
correção temporária ou do início de uma desaceleração mais persistente do
consumo no RN”, fala.
A explicação para as retrações, conforme mostram a PMC,
está no ambiente macroeconômico, na avaliação do economista. “O comércio é
muito sensível às condições de crédito e ao comprometimento da renda das
famílias. O ciclo de juros elevados reduz a capacidade de financiamento e tende
a postergar principalmente compras de maior valor, como móveis,
eletrodomésticos e veículos”, analisa.
Apesar da variação negativa desde março, no acumulado de
2026 os dados do IBGE indicam que as vendas do varejo potiguar apresentaram
alta de 4,2% entre janeiro e julho deste ano em relação ao mesmo período de
2025. Já o crescimento acumulado em 12 meses foi de 5,7%, em relação ao período
anterior de 12 meses, terceira maior variação do país, atrás de Pernambuco
(6,7%) e do Distrito Federal (6,0%).
As vendas do comércio varejista ampliado do estado, por
sua vez, cresceram 1,3% em julho, na comparação com junho. Esse foi o sexto
maior crescimento observado no País. O segmento inclui comércio de veículos,
motos, partes e peças, material de construção e atacado de produtos
alimentícios, bebidas e fumo. Em relação a julho de 2025, a variação foi de
0,7%. Com isso, o setor acumulou aumento de 2,7% em 2026, em relação ao mesmo
período do ano passado, e de 3,2% no acumulado em 12 meses, em relação a igual
período anterior.
No Brasil, o volume de vendas no comércio varejista caiu
0,8% frente a junho, na série com ajuste sazonal. A média móvel trimestral para
o varejo variou -0,1% no trimestre encerrado em julho de 2026, após registrar
-0,2% no trimestre encerrado em junho. Frente a julho de 2025, o volume de
vendas do varejo cresceu 1,2%, após alta de 2,8% em junho. No ano, o mercado
varejista acumula alta de 1,8% e, nos últimos 12 meses, de 1,6%.
Já no comércio varejista ampliado, o volume de vendas em
julho mostrou variação de 0,4% frente ao mês imediatamente anterior, após queda
de 1,1% em junho de 2026. Com isso, a média móvel trimestral para o varejo
ampliado variou -0,3% no trimestre encerrado em julho, depois do recuo de 0,8%
no trimestre encerrado em junho de 2026. Frente ao mesmo mês de 2025, o varejo
ampliado cresceu 1,8% após crescer 4,9% em junho de 2026. No ano, o setor
avançou 1,9% e, nos últimos 12 meses, 1,2%.
NÚMEROS
Comportamento do varejo em julho no NE
BA: -1,2%
PB: -1,2%
RN: -0,9
CE: -0,1
AL: 0,0%
PI: 0,1%
MA: 0,2%
SE: 1,3%
PE: 1,5%
Fonte: IBGE
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