A Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte
(FEMURN) realizou, na manhã desta terça-feira (15), em sua sede, em Natal, uma
coletiva de imprensa para detalhar a representação que será apresentada ao
Ministério Público contra o Governo do Rio Grande do Norte em razão da retenção
de recursos financeiros devidos aos municípios potiguares. Mais de 40 prefeitos
de diferentes regiões do Estado participaram do encontro.
Durante a coletiva, a diretoria da FEMURN e a assessoria jurídica da entidade
apresentaram informações sobre as medidas adotadas diante dos sucessivos
atrasos nos repasses que, por determinação legal, pertencem aos municípios.
Atualmente, o valor contabilizado pela Federação referente aos recursos
indevidamente retidos pelo Governo do Estado chega a R$ 260.151.072,11.
A representação ao Ministério Público ocorre após uma série de tratativas
realizadas pela Federação junto ao Governo do Estado. A FEMURN, diante da
ausência de uma solução para a regularização dos repasses, a entidade decidiu recorrer
aos órgãos competentes para garantir o cumprimento das obrigações financeiras
com os municípios.
Entre os recursos discutidos estão valores destinados ao programa Farmácia
Básica, cuja origem está relacionada a um processo iniciado em 2012. De acordo
com a assessoria jurídica da Federação, a ação já transitou em julgado e,
atualmente, a discussão está concentrada nos procedimentos para a execução da
decisão judicial e o pagamento dos valores devidos aos municípios.
Durante a reunião, os advogados da FEMURN, Dr. Mário Gomes e Dr. Andreo Macedo,
detalharam aos prefeitos e à imprensa os aspectos jurídicos do processo, além
dos próximos passos que serão adotados pela Federação.
Outro ponto apresentado foi a determinação para que, a partir de 19 de
setembro, o Banco do Brasil passe a separar, em conta especial, os repasses
pertencentes aos municípios. A medida busca garantir que os recursos destinados
às prefeituras sejam preservados e não permaneçam sob gestão do Estado sem a
correspondente transferência aos municípios.
O presidente da FEMURN, José Augusto Rêgo, destacou que a situação chegou a um
nível crítico e que a Federação continuará adotando as medidas necessárias para
assegurar que os municípios recebam os recursos que lhes pertencem.
Segundo os gestores presentes, os atrasos nos repasses estaduais já provocam
dificuldades na administração das contas municipais. Prefeitos relataram
preocupação com a possibilidade de atraso no pagamento de salários e
fornecedores caso a situação não seja regularizada.
"A situação dos municípios é crítica. Depois de inúmeras tratativas, o
dever nos impõe buscar os mecanismos legais para garantir que os recursos
pertencentes aos municípios sejam efetivamente repassados. Estamos recorrendo
ao Ministério Público e avaliando outras medidas para assegurar o cumprimento
da lei", afirmou o presidente da FEMURN, José Augusto Rêgo.
O presidente também informou que a Federação avalia, diante da continuidade dos
atrasos e do descumprimento das obrigações legais, a adoção de medidas ainda
mais rigorosas, incluindo a possibilidade de solicitar intervenção federal no
Governo do Estado.
A FEMURN reforçou que seguirá acompanhando a situação e atuando
institucionalmente para garantir a regularidade dos repasses e preservar a
capacidade financeira dos municípios potiguares de manter serviços públicos,
salários e compromissos essenciais com a população.

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