A Polícia Federal apreendeu R$ 400 mil em espécie na
tarde dessa quinta-feira 1º, em Mossoró. A suspeita é de que o dinheiro seria
utilizado de forma ilícita para favorecer uma campanha eleitoral — o nome do
candidato envolvido na ação não foi divulgado. A ação foi realizada com apoio
da Controladoria-Geral da União (CGU).
Segundo a PF, a apreensão ocorreu depois do recebimento
de informações sobre uma movimentação financeira suspeita. Os policiais
realizaram diligências e acompanharam a movimentação, confirmando o saque dos
R$ 400 mil por uma pessoa que, de acordo com a PF, tem vínculo direto com o
candidato cuja campanha seria beneficiada.
Além do dinheiro, os agentes apreenderam dois aparelhos
celulares. Os equipamentos serão analisados para subsidiar o aprofundamento da
investigação, que prossegue para esclarecer as circunstâncias da movimentação
financeira e verificar a eventual prática de crimes eleitorais.
A nova ação ocorre pouco mais de duas semanas depois da
Operação Sem Lastro, deflagrada em 14 de setembro, em Natal. Na ocasião, a PF
cumpriu dois mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Eleitoral e
recolheu R$ 1,51 milhão em espécie na residência do deputado estadual Luiz
Eduardo (PL), candidato à reeleição. Também foram apreendidos celulares,
documentos e equipamentos eletrônicos.
Assim como agora, no caso de Luiz Eduardo, a investigação
apura suspeitas de falsidade ideológica eleitoral e utilização de recursos não
declarados em atividades de campanha.
Em vídeo divulgado após a operação, o deputado afirmou
que o dinheiro havia sido retirado de sua previdência em 8 de julho, em um
único saque, e permanecera intacto em casa durante 68 dias. O parlamentar
também negou ter fracionado a retirada para evitar mecanismos de fiscalização
financeira.
No pronunciamento, Luiz Eduardo não explicou por que
decidiu manter a quantia em espécie na residência nem qual seria a destinação
futura dos recursos. Também não identificou a instituição responsável pela
previdência ou apresentou extratos e comprovantes no vídeo.
A defesa sustentou que a movimentação era lícita,
declarada e documentalmente comprovável, comprometendo-se a apresentar os
registros às autoridades. Os advogados também argumentaram que os valores não
haviam sido utilizados e que a ausência de gastos afastaria uma finalidade
eleitoral.
Apreensões na campanha
As duas apreensões no Estado ocorrem em meio ao
crescimento do volume de recursos recolhidos em investigações eleitorais no
País. Em balanço com dados disponíveis até quarta-feira 30, portanto antes da
ação em Mossoró, a Polícia Federal já havia apreendido pelo menos R$ 30 milhões
em dinheiro e bens desde janeiro de 2026. Desse total, R$ 19 milhões
correspondiam a dinheiro em espécie encontrado com candidatos ou
intermediários, enquanto R$ 11 milhões representavam o valor estimado de bens,
como veículos, imóveis e celulares.
O montante nacional já é três vezes superior aos R$ 10
milhões registrados durante todo o ano eleitoral de 2022, embora ainda esteja
abaixo dos R$ 63 milhões apreendidos nas eleições municipais de 2024. Até o
balanço de quarta-feira, a PF havia instaurado 1.217 inquéritos sobre crimes
eleitorais em todo o Brasil. No Rio Grande do Norte, eram 46 procedimentos, dos
quais 23 apuravam indícios de caixa dois.
Nas investigações, a corporação busca estabelecer a
origem e a destinação dos recursos, além de identificar possíveis vínculos com
compra de votos ou movimentações de campanha não informadas à Justiça
Eleitoral.
Entre os elementos analisados estão a proximidade dos saques com a votação, o perfil das pessoas que transportam os valores e a existência de relações com candidatos, assessores ou intermediários.
Nenhum comentário:
Postar um comentário