Foto: Wilton Junior
As medidas e promessas anunciadas por Luiz Inácio Lula da
Silva (PT) durante a campanha eleitoral podem exigir ajustes de até R$ 49,8
bilhões no Orçamento da União de 2027. A conta ficará para o próximo governo,
independentemente de quem vencer o segundo turno, Lula ou Flávio Bolsonaro
(PL), e dependerá de negociações com o Congresso Nacional.
Entre as iniciativas anunciadas estão o reajuste de 15%
do Bolsa Família, o Desenrola 3.0, com custo estimado de R$ 15 bilhões entre
2027 e 2028, e um pacote para microempreendedores individuais (MEIs), que
inclui perdão de dívidas tributárias, ampliação do limite de faturamento e
pagamento de até R$ 5 mil. Lula também prometeu expandir o Pé-de-Meia para
universitários.
A maior parte das medidas não está prevista no projeto
orçamentário enviado ao Congresso em agosto. Segundo o levantamento, elas podem
acrescentar R$ 43,55 bilhões às despesas e reduzir as receitas em R$ 6,27
bilhões. A ampliação do teto de faturamento dos MEIs é a única dessas
iniciativas contemplada na proposta, com impacto estimado de R$ 1,57 bilhão na
arrecadação de 2027.
O governo projetou superávit de R$ 18,6 bilhões para o
próximo ano. A inclusão dos novos compromissos pode comprometer essa meta caso
não haja cortes em outras despesas ou aumento da arrecadação. A equipe
econômica pretende encaminhar os ajustes ao relator do Orçamento após a
eleição.
Outro fator de pressão são as emendas de comissão, que devem acrescentar R$ 12,7 bilhões às despesas. Além disso, consultorias da Câmara e do Senado apontaram incertezas nas projeções oficiais, incluindo uma estimativa de crescimento econômico acima da expectativa do mercado e receitas previstas com tributos cujas regras ainda não estavam definidas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário