A safra do melão potiguar 2026/2027 deve movimentar R$
1,42 bilhão volume de negócios a partir do embarque de cerca de 250 mil
toneladas de frutas pelo Porto de Natal para o mercado externo, segundo
estimativa da Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern). A projeção
representa um crescimento de 4,4% na movimentação financeira em relação à safra
anterior, que movimentou R$ 1,36 bilhão e 240 mil toneladas.
A primeira embarcação deste ciclo partiu em direção à
Europa na última sexta-feira (14). O navio Baltic Performer atracou no terminal
potiguar em 10 de agosto e deixou o terminal na sexta com destino aos portos de
Dover, no Reino Unido, e Roterdã, na Holanda. O navio transportou cerca de 5
mil toneladas de frutas, segundo a Codern.
Dados levantados pela Secretaria de Estado do
Desenvolvimento Econômico (Sedec-RN) apontam que, de janeiro a junho, o RN
movimentou US$ 51,4 milhões nas exportações de melões, número que compreende o
período de encerramento da safra 2025/2026 e de entressafra, quando ocorre uma
redução dos embarques. O ano de 2025 teve crescimento de 16,2% em relação a
2024 na movimentação pela exportação da fruta.
“Em um cenário otimista, espera-se que o percentual de
crescimento se perpetue nas safras seguintes”, diz a Sedec-RN. O otimismo é
compartilhado por outras entidades no setor da fruticultura.
Os principais destinos das frutas embarcadas pelo Porto
de Natal estão concentrados na Europa, incluindo o Reino Unido, diz a Codern.
Segundo a Sedec-RN, Espanha, Países Baixos e Reino Unido responderam por cerca
de 94% de todo o valor exportado pelo estado no primeiro semestre deste ano.
“O Porto de Natal possui posição estratégica nessa cadeia
logística: estima-se que cerca de 70% do melão e da melancia consumidos no
mercado europeu, considerando também a Grã-Bretanha, sejam provenientes das
cargas embarcadas pelo terminal potiguar”, informa a Companhia Docas.
Carlo Porro, fundador e CEO da Agrícola Famosa, maior
exportadora do estado, projeta que esta safra deve começar “bem melhor que a
safra do ano passado”. Em 2025, as exportações competiram com a produção da
Espanha.
Segundo ele, em 2026, o calor extremo na Europa
prejudicou a qualidade do melão produzido na Espanha, e a safra do país europeu
está acabando. Com menos concorrência em termos de produção e qualidade, a
expectativa é de que o melão potiguar tenha um bom preço. Em termos comerciais,
o início de safra é positivo também porque a Agrícola Famosa registrou boa
produtividade. Ainda não é possível traçar uma estimativa de movimentação
financeira na empresa, segundo o CEO, porque isso depende do câmbio.
Apesar disso, a expectativa é de que a companhia aumente
o seu faturamento tanto no mercado externo como no interno, onde pretende
apostar em produtos de maior qualidade. “Por conta dessa ação no mercado
interno, acredito que o nosso faturamento no mercado interno deve subir e estou
otimista em relação a este ano”, afirma Carlo Porro.
A Agrícola Famosa mantém a área plantada na última safra,
com produção de melões e melancias. São cerca de 13 mil hectares. A empresa tem
mais de 65% do market share da fruta brasileira que chega na Europa, afirma
Carlo Porro. A meta para a safra 2026/2027 é consolidar essa participação,
chegar mais ao Canadá e manter ou elevar a exportação nos Estados Unidos –
apesar do tarifaço.
Na avaliação da Federação da Agricultura, Pecuária e
Pesca do RN (Faern), a safra 2026/2027 começa com uma perspectiva positiva,
sustentada pelo bom desempenho comercial da safra anterior e pela expectativa
de demanda firme no mercado externo.
“Segundo análises do Hortifruti/Cepea, a redução da
oferta em países concorrentes da América Central pode abrir espaço adicional
para o melão brasileiro, sobretudo no mercado europeu”, explica a entidade,
para a qual a expectativa é de manutenção ou crescimento do desempenho da safra
anterior.
A fruticultura do RN enfrenta um triplo desafio para
expandir a produção e manter a competitividade do melão potiguar no exterior,
avalia a Faern: a garantia da segurança hídrica, gargalos na logística de
escoamento e a alta dos custos de produção.
Além disso, ele cita desafios no mercado consumidor, como
dificuldade para exportar aos Estados Unidos devido ao tarifaço e “receio real
entre os produtores de uma retração no mercado europeu, motivada pela queda no
consumo de frutas associada ao uso disseminado de medicamentos para redução de
peso”.
A projeção do Coex-RN é conservadora, visando antes a
sobrevivência das margens do que o crescimento de volume. Para Fábio Queiroga,
os números de movimentação da safra anterior não servem como base para este
ano. “Os insumos básicos, que hoje compõem mais de 60% do nosso custo de
produção, sofreram reajustes drásticos induzidos pela guerra no Oriente Médio”,
explica.
Fonte: Tribuna do Norte
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