Justificativa
à PGR aponta suspeitas de tráfico de influência e obstrução de investigação; há
pleito de impeachment e saída do diretor da PF
Parlamentares anunciam, em coletiva, medidas no Senado, STF, PGR e Presidência da República - Foto: Reprodução do YouTube
O
líder da Oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à
Presidência, Rogério Marinho (PL-RN), assinou nesta terça-feira (1º)
notícia-crime apresentada à Procuradoria-Geral da República (PGR) que sustenta
a necessidade de prisão preventiva e afastamento do ministro Alexandre de
Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A
representação também é subscrita pelo Partido NOVO e pelos deputados Marcel van
Hattem (Novo-RS) e Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara.
O
documento pede a investigação de Moraes pela potencial prática dos crimes de
tráfico de influência e obstrução de investigação de organização criminosa. A
representação se baseia em elementos atribuídos a relatório da Polícia Federal
sobre mensagens trocadas entre o ex-controlador do Banco Master, Daniel
Vorcaro, e Moraes.
Segundo
a peça, os diálogos indicariam tentativas de atuação junto a autoridades
públicas em favor de Vorcaro e do banco, inclusive para retardar medidas no
âmbito da Operação Compliance Zero.
A
notícia-crime também relaciona esses diálogos ao contrato de prestação de
serviços advocatícios firmado entre o Banco Master e o escritório da esposa de
Moraes, Viviane Barci de Moraes. A representação sustenta, com base nas
informações atribuídas à investigação da PF, que o próprio ministro teria
participado da edição da minuta do contrato, originalmente estipulado em R$ 131
milhões, e aponta pagamentos de aproximadamente R$ 80 milhões durante sua
vigência. Essas alegações integram a fundamentação dos requerentes e deverão
ser objeto de apuração pelas autoridades competentes.
Ao
defender a prisão preventiva, a representação argumenta que a permanência de
Moraes em liberdade e no exercício do cargo representaria, na avaliação dos
autores, risco à instrução das investigações. A peça invoca os requisitos
previstos no Código de Processo Penal e pede também o afastamento cautelar do
ministro do STF.
O
senador Rogério Marinho e o líder da Oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva,
também encaminharam ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, solicitando a
convocação de uma sessão presencial, pública e transparente do plenário para
analisar os elementos apresentados pela Polícia Federal sobre as possíveis
ligações entre Moraes e Vorcaro.
Em
outra iniciativa, os líderes oficiaram ao presidente Lula solicitando o
afastamento imediato e preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei
Rodrigues. O ofício cita mensagens nas quais Vorcaro teria manifestado a
necessidade de obter a “proteção de Andrei e de Paulo”, referências associadas
no documento a Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Para
os parlamentares, o afastamento é necessário para preservar a independência e a
credibilidade das investigações e não representa antecipação de
responsabilidade.
Para
a oposição, a dimensão das informações reveladas exige que nenhuma autoridade
esteja acima da investigação e que todos os fatos sejam submetidos, com
transparência, às instituições responsáveis por sua apuração. Paralelamente, o
Partido NOVO e a Liderança da Oposição na Câmara apresentaram um novo pedido de
impeachment de Alexandre de Moraes.
Rogério
Marinho aproveitou para criticar a atuação do ministro no STF, que “tem feito
um trabalho muito grande para fazer com que a população brasileira tenha
dificuldade de acreditar que há isenção no Judiciário, mas o Brasil tem isenção
no Judiciário, queremos preservar o Judiciário, para que Poderes da República
sejam restaurados da sua dignidade, porque o jogo político está
desequilibrado”.
Além
do impeachment de Moraes, foi protocolado ofício de queixa-crime contra o
magistrado à PGR, ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, que solicita a
abertura de investigação contra Moraes na Suprema Corte. Outro ofício pede à
Presidência da República o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal
(PF), Andrei Rodrigues.
“É
bom lembrar que o presidente Bolsonaro foi acusado de interferir na Polícia
Federal porque quis nomear o diretor, a gente vê o diretor da Polícia Federal
praticamente morando dentro do Palácio do Planalto, conversando com Lula, dando
palestras, conversando com os morais, tomando uísque com o Vorcaro e a
sociedade assiste isso achando que é normal”, alertou o senador.
Flávio:
“Moraes é advogado de Vorcaro”
O
candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) defendeu, na terça-feira (1º/9),
o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes
após serem tornadas públicas mensagens que indicam conversas entre o magistrado
e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
O
senador foi à tribuna do plenário do Senado onde criticou os pares por “poucos”
terem criticado o teor das mensagens que constam na investigação que tramita na
Corte, cujo relator, o ministro André Mendonça, tirou o sigilo.
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou na terça-feira (1º) o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de “advogado” do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. O congressista defendeu que o magistrado renuncie. “Não tem a menor condição de ele continuar sendo ministro do Supremo”, disse Flávio a jornalistas.
"Uma
súplica, vamos resgatar a nossa democracia. O Brasil não tem mais tempo a
perder. É responsabilidade nossa. Por causa da nossa omissão, por causa da
omissão do Senado Federal é que as coisas chegaram nesse nível", disse.
Tribuna do Norte
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