A abertura de mercado para Islândia, Liechtenstein,
Noruega e Suíça pode ampliar exportações em setores como fruticultura, pescados
e mineração.
A recente promulgação do acordo de livre comércio entre o
Mercosul e a EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio, que inclui Islândia,
Liechtenstein, Noruega e Suíça) deve abrir uma janela de oportunidades para o
Rio Grande do Norte, segundo analistas do setor econômico. A abertura de
mercado pode diversificar as exportações, tornar produtos mais competitivos,
por meio da eliminação de tarifas, além de impulsionar setores como
fruticultura, pescados e mineração.
Para a Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN
(Faern), o acordo cria condições para diversificar os destinos das exportações
brasileiras e ampliar o acesso a mercados de elevado poder aquisitivo. “A
principal oportunidade está em ampliar as vendas externas de setores com
experiência exportadora, especialmente a fruticultura”. “Novos negócios podem
gerar efeitos sobre o emprego e a renda na produção, no beneficiamento, no
transporte e em outros serviços associados”, diz a Faern.
Na visão do economista Helder Cavalcanti, embora o acordo
possa ampliar as exportações do RN, isso não representa, por si só, uma
transformação imediata da economia potiguar. “Estamos falando de um mercado
[de] elevado poder de compra. É um mercado relativamente pequeno em população,
mas muito qualificado em renda e capacidade de consumo”, afirma.
“O principal ganho está na diversificação dos destinos
das exportações e na possibilidade de vender produtos com maior valor agregado.
A eliminação ou redução de tarifas melhora a competitividade do produto
potiguar”, diz o economista. É preciso, porém, “preparar as empresas, atender
às exigências técnicas e sanitárias e construir relações comerciais nesses
países”.
As principais oportunidades, segundo Helder Cavalcanti,
estão nos setores da fruticultura irrigada, dos pescados, sal, alimentos
processados, confecções, produtos têxteis, mineração, pedras ornamentais,
artesanato e mercadorias com identidade territorial.
A Secretaria do Desenvolvimento Econômico (Sedec-RN)
avalia a promulgação do decreto que oficializa o acordo como um marco
estratégico para que o RN deixe de figurar apenas como fornecedor de
matérias-primas tradicionais e passe a se posicionar como um hub de tecnologia
verde e alimentos na Europa.
Na avaliação da pasta, os reflexos positivos atingirão
três frentes principais: a interiorização do emprego formal; a atração de
empregos qualificados no setor de energia e logística; e o fortalecimento do
litoral com a isenção tarifária para a pesca.
“O contexto atual torna-se favorável para a consolidação
de novas possibilidades de destinação dos produtos locais, sobretudo nos
setores de alimentos derivados da cana-de-açúcar e pescados, tradicionalmente
produzidos no estado”, diz a Sedec-RN.
Atento ao novo cenário, o presidente da Federação das
Indústrias do Estado (Fiern), Roberto Serquiz, avalia que o tratado abre uma
porta essencial para o estado, mas o desafio é capacitar o parque fabril
potiguar para mapear oportunidades, obter certificações e cumprir os rigorosos
requisitos tarifários e técnicos. “O desafio agora é sair da oportunidade no
papel e transformar a abertura comercial em produção, investimentos,
exportações e desenvolvimento para o RN”, diz Roberto Serquiz.
De acordo com ele, embora as tarifas de importação do
ouro “já fossem próximas de zero, o acordo amplia a integração com um
importante centro internacional de refino, particularmente a Suíça”. Em 2026, o
país aparece como segundo destino do ouro potiguar, com 25% das exportações,
atrás do Canadá.
O acordo pode, na visão de Roberto Serquiz, “consolidar a
Suíça como novo destino e centro de refino, ampliar a inserção internacional do
ouro potiguar e estimular novos investimentos, com maior valorização da origem
legal, da rastreabilidade e da sustentabilidade da produção”.
O acordo entra em vigor em 1º de outubro para o Brasil e
a Islândia. Para Brasil e Noruega, vale a partir de 1º de novembro. No caso de
Suíça e Liechtenstein, o início da aplicação de tarifas preferenciais ainda
depende dos processos de internalização nesses países.
Fonte: Tribuna do Norte
Nenhum comentário:
Postar um comentário