segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Nikolas x Ana Elisa: quem pode influenciar mais na reta final da corrida presidencial?

Por Alan Bueno*

Dois mineiros, duas redes, um mesmo palco. Nikolas Ferreira (PL) e Ana Elisa (PT) terminaram o primeiro turno de 2026 como os deputados federais mais votados de Minas Gerais – e a rivalidade entre os dois virou termômetro da disputa de influência que atravessa a eleição presidencial, que será decidida no próximo dia 25 entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente Lula.

Os números mostram a assimetria. Nikolas cravou 3,1 milhões de votos, mais que o dobro dos 1,49 milhão de 2022, e tornou-se o deputado mais votado da história da Câmara. Ana Elisa, aos 21 anos, obteve 524 mil votos na primeira disputa – é a mulher mais votada de Minas para a Câmara e o nome mais votado do PT no país. Só em Minas, ela superou os votos de Romeu Zema à Presidência no Brasil inteiro.

A rivalidade ficou explícita em 8 de outubro, quando Nikolas compartilhou antigos posts com declarações polêmicas de Ana Elisa, quando ela tinha 17 anos. Segundo a estreante na política, suas falas foram descontextualizadas, mas pediu desculpas a eventuais ofendidos. O episódio aconteceu logo depois de a deputada eleita aparecer ao lado de Lula como sua nova conselheira, para ajudá-lo a se conectar com juventude brasileira, e o partido passou a organizar mega eventos de ruas nas principais capitais do país, capitaneados especialmente por jovens.

A minha aposta é a de que Ana Elisa tem tudo para se tornar a maior influenciadora de esquerda do país. Seu desafio é transformar seguidores em rede ativa que compartilha, defende e responde em tempo real, como tem feito o deputado André Janones através do canal do WhatsApp “Exército de Lula” – que, aliás, já sofreu duas suspensões por determinação do presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, em mais uma polêmica sobre a politização de decisões judiciais.

Ana Elisa pode ajudar a rejuvenescer a imagem do PT. E virar trunfo nesta reta final do segundo turno presidencial, se tiver capacidade de dialogar com o jovem que hoje está no MBL e no Partido Missão – público que rejeita a política tradicional, vive na internet e valoriza autenticidade mais do que rótulos. Vale destacar, em uma disputa tão acirrada como atual, o peso que teria a conquista dos mais de 2,6 milhões de votos recebidos por Renan Santos no primeiro turno.

O PT não precisa de mais seguidores, e sim de um público engajado que aja: dar protagonismo a quem tem audiência, organizar a militância digital e falar de problemas concretos – escala 6×1, renda, trabalho por aplicativo – na linguagem de quem os vive. Ana Elisa pode ser o rosto de uma nova esquerda, que não pede licença à burocracia partidária para inovar. Se o partido der espaço a esse símbolo em vez de enquadrá-lo, cresce de verdade entre os jovens, onde hoje perde.

Atualmente, Nikolas influencia mais: seis vezes mais votos, alcance nacional e capacidade de pautar o debate pesam mais que qualquer métrica de seguidores. Mas Ana Elisa é a novidade de 2026 – saiu do zero a meio milhão de votos em sete meses de partido e já ajuda a reorganizar a comunicação digital de Lula.

O segundo turno dirá se essa influência vai além dos próprios eleitores: se a campanha presidencial melhorar nas redes, ela ganha crédito; se Nikolas seguir ditando a pauta, a distância segue grande. Por ora, chamá-la de “Nikolas da esquerda” diz mais sobre o perfil do que sobre o tamanho.

*Estrategista digital, especialista em IA e tecnologia para campanhas eleitorais

Nenhum comentário:

Postar um comentário

PT lidera ranking de partidos que mais devem à União, com R$ 24,5 milhões

Foto: Partido dos Trabalhadores O Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acumula R$ 24,5 milhões em dívi...