Parlamentares divergiram sobre cenário da violência em
Mossoró, indicadores estaduais e investimentos realizados na área de segurança
pública
Por O
Correio de Hoje
A segurança pública voltou ao centro do debate na
Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte nesta terça-feira 2, com
cobranças da oposição sobre a violência em Mossoró e defesa de parlamentares
governistas sobre investimentos, redução de indicadores estaduais e reforço
operacional para grandes eventos. O tema dominou os pronunciamentos de Luiz
Eduardo (PL), Francisco do PT, José Dias (PL) e Isolda Dantas (PT), que
divergiram sobre a atuação do Governo do Estado.
Luiz Eduardo defendeu a abertura de uma Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as causas da violência no Rio
Grande do Norte. O deputado afirmou que o governo tem ignorado reclamações
apresentadas na Assembleia e citou Mossoró como principal exemplo da crise. No
plenário, ele mencionou a execução de um jovem com 17 disparos na saída do
trabalho e disse que o município já contabiliza mais de 70 homicídios antes do
fim do primeiro semestre.
O parlamentar também relacionou a cobrança ao episódio em
que uma facção criminosa fez inscrição no Morro do Careca, em Natal. Para Luiz
Eduardo, o caso demonstrou avanço do crime organizado sobre um dos principais
cartões-postais do Estado.
“Acorda, Fátima, o Rio Grande do Norte está sendo tomado
conta pelas facções”, afirmou, citando a governadora Fátima Bezerra.
O debate ocorre em meio ao aumento da preocupação com
Mossoró. O município é o segundo maior do Rio Grande do Norte e também se prepara
para receber o Mossoró Cidade Junina, um dos maiores eventos do calendário
estadual.
Francisco do PT rebateu a acusação de omissão. O deputado
afirmou que o governo Fátima Bezerra não é inerte na segurança pública e
sustentou que o Estado melhorou seus indicadores nos últimos anos. Dados
divulgados pelo Governo do RN apontam redução de 42% nas mortes violentas ao
fim de 2024, em comparação com 2018. Outro levantamento oficial, com base no
Atlas da Violência 2024, apontou queda de 49,1% nos crimes de morte violenta
intencional entre 2017 e 2023.
Francisco também citou a substituição de viaturas antigas
por novas em municípios do Seridó, como Santana do Seridó, Carnaúba dos Dantas
e Parelhas. Em maio, o Governo entregou 44 viaturas blindadas para reforçar a
segurança, sendo 30 para a Polícia Militar e 14 para a Polícia Civil.
Isolda Dantas, que é de Mossoró, também defendeu a gestão
estadual. A deputada afirmou que a situação no município é complexa e envolve
crime organizado, mas disse que o governo tem investido na área. Ela citou 18
mil promoções na Polícia Militar, 700 novas viaturas e pagamento antecipado aos
servidores da segurança. Isolda também afirmou que o Mossoró Cidade Junina terá
o maior efetivo de segurança da história da festa.
A Prefeitura de Mossoró anunciou operação com 1.500
agentes para o Pingo da Mei Dia, abertura oficial do evento. O esquema inclui
600 policiais militares, cerca de 160 guardas civis municipais, 400 agentes de
segurança privada, além de Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícia
Científica, PRF e agentes de trânsito.
José Dias ampliou o debate para o crime organizado
nacional. O deputado defendeu medidas de cooperação internacional para atingir
o financiamento de facções e afirmou que o combate ao crime deve mirar quem opera
e lucra com o tráfico. Ele também cobrou o pagamento de emendas parlamentares
pelo Governo do Estado.
Após a fala de Isolda, Luiz Eduardo voltou ao tema e
disse aceitar o debate sobre segurança. O deputado afirmou que sua cobrança não
é pessoal, mas voltada à proteção da população de Mossoró.
“Estou aqui tentando ajudar, salvar vidas”, declarou.
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