Extração de petróleo recuou 17,82% no segundo trimestre,
enquanto royalties somaram R$ 105,57 milhões no primeiro semestre, queda de
18,14% em relação a 2025.
Manutenção dos níveis produtivos depende de investimentos
na manutenção dos poços e da aplicação de técnicas de recuperação| Foto: Magnus
Nascimento
Fernando Azevêdo
Repórter
A produção de petróleo e gás natural no Rio Grande do
Norte registrou queda no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo
período de 2025. A produção de petróleo passou de 2,93 milhões para 2,40
milhões de barris, redução de 17,82%. Já a produção de gás natural caiu de
112,30 milhões para 97,66 milhões de metros cúbicos, recuo de 13,04%.
A produção terrestre (onshore) de petróleo somou 2,25
milhões de barris no segundo trimestre, queda de 18,07% em relação a 2025. Já a
produção de gás natural recuou 11,59%, para 87,62 milhões de metros cúbicos. No
segmento marítimo (offshore), foram produzidos 157,48 mil barris de petróleo no
RN, redução de 14%. A produção de gás natural chegou a 10,04 milhões de metros
cúbicos, queda de 23,9%.
Os dados constam no Boletim de Petróleo e Gás Natural do RN – 2º Trimestre de
2026, elaborado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico
(Sedec-RN) com base em informações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural
e Biocombustíveis (ANP).
Para a Sedec-RN, os resultados reforçam a tendência de redução da produção nos
campos do estado, especialmente nos maduros. “A diminuição dos volumes está
relacionada à evolução natural dos reservatórios e ao declínio gradual das
taxas de produção, cenário característico de campos maduros”, aponta o boletim.
Segundo a secretaria, a manutenção dos níveis produtivos
depende de investimentos contínuos na manutenção dos poços e da aplicação de
técnicas de recuperação. “Apesar das variações observadas, o estado mantém
volume expressivo de produção acumulada, refletindo a continuidade da atividade
dos campos produtores e a importância do setor de petróleo e gás para a matriz
energética potiguar”, afirma o documento.
A produção de petróleo e gás natural no RN também começou 2026 em queda. No
primeiro trimestre, a produção onshore de petróleo recuou 15,85%, para 2,25
milhões de barris, enquanto a de gás caiu 20,34%, para 75,93 milhões de metros
cúbicos. No segmento offshore, a produção de petróleo diminuiu 15,42%, mas a de
gás natural cresceu 2,75%.
Segundo dados do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente
(Idema), o RN tem sete processos de licenciamento ambiental em andamento
relacionados à produção de petróleo e gás. De acordo com o órgão, cada licença
pode abranger até 40 poços, embora esse número varie. Ao todo, foram emitidas
20 licenças de perfuração em 2026. Em 2025, foram 53, a maioria referente a
solicitações feitas em anos anteriores.
A ANP foi procurada para informar sobre a produção recente de petróleo e gás no
Rio Grande do Norte, mas não houve retorno até o fechamento da edição.
Para Criste Jones, presidente da Associação de Redes de
Empresas de Petróleo, Gás, Petroquímica e Energia do Rio Grande do Norte
(Redepetro RN), os resultados do trimestre são preocupantes. “A queda da
produção evidencia a necessidade de ampliar os investimentos e fortalecer a
atividade de exploração e produção no estado”, avalia. “Nosso estado possui uma
cadeia de fornecedores experiente, mão de obra qualificada e infraestrutura
instalada”, completa.
Ela defende que é preciso transformar esses ativos em novas oportunidades de
negócios, por meio da revitalização dos campos maduros, da aplicação de novas
tecnologias e da atração de investimentos. Diante das quedas, a expectativa do
setor para o fechamento de 2026 é de cautela. “Entretanto, ainda existem
oportunidades importantes para reverter esse quadro”, pontua Criste Jones.
Na avaliação da Redepetro RN, o estado reúne condições favoráveis à exploração.
Em terra, a infraestrutura instalada, o conhecimento técnico acumulado e a
presença de fornecedores especializados são diferenciais. No mar, a entidade
destaca o potencial da Bacia Potiguar. “Nossa expectativa é transformar esse
potencial em projetos efetivos, com investimentos, geração de empregos e
fortalecimento das empresas locais. O Rio Grande do Norte não pode se conformar
com o declínio da produção”, afirma Criste Jones.
No primeiro semestre de 2026, o RN arrecadou R$ 105,57 milhões em royalties da
produção de petróleo e gás natural, redução de 18,14% em relação aos R$ 128,96
milhões registrados no mesmo período de 2025.
A queda foi mais acentuada no início do ano, com retrações superiores a 28%
entre janeiro e abril, segundo a Sedec-RN. A partir de maio, a arrecadação
apresentou recuperação.
Fonte: Tribuna do Norte
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